• Jéssica Paula

O melhor de Florianópolis


Florianópolis é linda, fato. Mas para ir até lá, é necessário ficar atento a alguns fatores. O primeiro deles é que a cidade é extremamente pulverizada. Isso porque a ilha é formada por 12 distritos, 48 bairros e para acessar a cada um deles, na maioria dos casos, é necessário pegar estrada.


Além disso, das 42 praias da ilha, a maioria são as chamadas “praias de tombo”, ou seja, daquelas com ondas fortes, boas para quem quer praticar esportes como o surf, mas não tão interessante assim para curtir o mar com crianças ou pessoas com dificuldade de locomoção.


Boa parte das opções de praias mais calmas e acessíveis estão no norte da ilha. Jurerê, praia da Daniela, Canasvieiras e parte da praia dos Ingleses são alguns exemplos.


O transporte público de Floripa não é essa maravilha. Isso significa que se você precisar se locomover pela cidade com um pouco mais de qualidade e sem perder tempo esperando ônibus (não há metrô) e caminhando, restam as opções de alugar um carro ou usar táxia/uber, que foi nossa escolha.


Além disso as distâncias não são assim tão próximas. Para se ter uma ideia, um uber da praia de Jurerê até a Lagoa da Conceição, centrinho da cidade — gostoso para um fim de tarde —, fica em torno de 45 reais.


No entanto, há algumas maneiras de burlar essas dificuldades.



Entenda a cidade


O centro propriamente dito é onde estão as redes de hotéis mais conhecidas, sem muitas surpresas. No entanto, a praia dessa região é imprópria para banho, então, se quiser nadar e usufruir de um quiosque na areia terá de pegar um carro.


A outra opção mais centralizada é a Lagoa da Conceição. É ali onde se concentra a vida noturna da cidade e onde há muitos hostels e pousadas. Nessa região, também é possível nadar na lagoa (em alguns pontos) e praticar atividades com stand up paddle.


Passamos uma tarde na região que é muito agradável. As pessoas curtem a lagoa seja deitadas na grama ou sentadas em alguns dos bares com música ao vivo. Dali, são alguns minutos de carro até as famosas praias Mole ou Joaquina.


Agora, se quiser ficar na beira da praia, precisa escolher aquela que mais te agrada na ilha e lembrar que nem todas tem hospedagem padrão, o que vai depender das suas necessidades.


Hospedagem


Com toda essa questão de mobilidade, escolher a região onde se hospedar deixa de ser apenas um local para dormir, mas define toda a qualidade da sua viagem.


Escolhi ficar no Jurerê Beach Village. Por que? É um hotel pé na areia que tem uma pequena rampa de acesso à praia de Jurerê. Para qualquer pessoa que tenha alguma dificuldade de locomoção, o local disponibiliza cadeira de rodas adaptadas, dessas que são próprias para entrar no mar. Tem piscina aquecida e jacuzzis ao ar livre, além de espaços para jogos. Para quem vai com crianças, seja feliz e aproveite para descansar enquanto elas brincam com algum dos monitores disponíveis.



Jurerê tem mar calmo e fora de temporada é um sossego só. O hotel tem serviço de praia e o valor não fica mais alto do que as poucas barraquinhas de bebidas que surgem no decorrer da orla.


Além disso, como a rede hoteleira de Florianópolis, principalmente nos locais próximos às praias, é constituída por casas que foram transformadas em pousadas, ou por hotéis de até dois andares, não é simples encontrar boas opções de quartos com acesso por elevador, ficando o hóspede refém das escadas.


O Jurerê Beach Village conta com elevador para acesso aos quartos e o térreo é todo nivelado, por isso não possui itens que possam atrapalhar a locomoção daqueles que precisam desviar dos degraus para seguir adiante.


A piscina também tem uma parte acessível, onde não há necessidade de passar por escadas para entrar. No entanto, esse trecho não é aquecido, caso você vá nos dias mais frios.


Como os apartamentos são no estilo flat, ao reservar é importante solicitar o tipo de quarto mais adequado quanto às suas necessidades. Alguns banheiros, por exemplo, possuem banheira, o que pode ser muito bom ou muito ruim dependendo da sua condição física. Mas nada que uma ligadinha na recepção do hotel, ou uma observação durante sua reserva não resolvam.


O restaurante dentro do local, é o Z'Perry, com preço compatível aos padrões de Jurerê, o cardápio tem desde omelete à risoto de polvo, se nem quiser descer, eles têm serviço de quarto.




Pôr do Sol


Ao final do primeiro dia na cidade, decidi conferir o famoso pôr do sol de Santo Antônio de Lisboa, um distrito açoriano considerado um dos mais antigos de Florianópolis. A orla ali tem bares e restaurantes com música ao vivo e vista privilegiada para o mar, daqueles cenários com dezenas de barquinhos compondo o fim de tarde.





Pôr do sol em Santo Antônio de Lisboa


Sentamos em um dos bares à beira da prainha e pedimos ostras, um dos pratos típicos da região. Aqui vale o alerta: durante a primavera venta muito em toda a ilha. Em Santo Antônio de Lisboa então, o vento não pára e é muito gelado. O bar entrega, inclusive, algumas mantas para você se agasalhar. No final de outubro, os vendedores da feirinha que fica na rua que dá acesso à praia estavam em pleno look inverno. Então é importante não esquecer esse detalhe para apreciar a vista sem sofrer.


Além da caminhada na pequena orla, um dos principais pontos do distrito é a Igreja da Nossa Senhora das Necessidades, edificada pelos portugueses, em 1756. Ela tem entrada gratuita e funciona todos os dias das 8h às 12h e das 13h às 15h.





Praia da Joaquina



Famosa por suas dunas, a praia da Joaquina fica perto da Lagoa da Conceição. É linda. Tem ondas fortes também, mas, caso não queira, não faz falta entrar na água diante daquele mar de areias brancas e finas.


Para entrar na praia existe uma rampa de acesso bem íngreme, sendo necessário apoiar no corrimão que há ao lado, principalmente levando em conta a quantidade de areia que fica sobre o piso de madeira.



Praia da Joaquina


Já para subir as dunas, sim, há um certo esforço físico para qualquer ser humano durante a subida nos "morros de areia", mas não dá pra ficar sem conferir a vista de cima de um deles. O que é possível fazer também, é descer do carro um pouco antes da praia, onde fica a entrada para as dunas. Dali é possuir fazer o sandboard, o esquibunda, e depois de descer surfando na areia, pode continuar a caminhada até a praia.

Dá uma olhada, clicando aqui, o perrengue que foi para conseguir subir essas areias de muletas.








Raio X da Acessibilidade


Mobilidade não é o forte de Florianópolis devido às dificuldades com o transporte público. Por isso, ao viajar com qualquer pessoa que não tenha disponibilidade de caminhar longas distâncias, é preciso pensar bem o local onde se hospedar, principalmente se quiser fugir do trânsito.


Aliás, trânsito não é privilégio apenas da alta temporada. Em um domingo de sol, mesmo em outubro gasta-se um bom tempo para ir e voltar da lagoa da conceição ou da praia mole, por exemplo.


Boa parte das praias possuem acesso por rampa, mas nem sempre nas angulações ideais. Algumas são muito íngremes, quase sempre cheias de areia, ou com as tábuas, que formam sua estrutura, muito espaçadas uma da outra.


Praias como Jurerê, Daniela, Brava, Joaquina, Mole, Canasvieiras, Ponta das Canas, Ingleses, Campeche, Barra da Lagoa, Armação e Pântano do Sul passaram por reformas que incluem adaptações nas estruturas das passarelas e banheiros e duchas adaptadas. Além disso, a secretaria de turismo da cidade avisa que é só pedir para um guarda vidas que eles têm disponíveis cadeiras de rodas adaptadas para o mar.