© 2016 por Jéssica Paula 

December 7, 2016

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O refugiado poeta

May 26, 2016

Ao chegar no campo de refugiados de Bambasi, no este etíope, estacionamos o carro da Cruz Vermelha no meio do campo. Antes mesmo de descer, um homem, bem mais velho, se aproxima. Anda descalço. Calça de linho já desgastado, barra dobrada, manchada de terra. Camisa branca de um tecido bem fino, mangas arregaçadas até os cotovelos. E um sorriso forte no rosto. Tem firmeza apesar de cambalear enquanto caminha em minha direção. São os calos dos pés que atrapalham o andado. Esse é Al-Bash. Ele veio até mim.

 

Apesar de a porta do carro estar aberta, ele cruza os braços e os apoia na janela. Sorri. Olha-me fixamente. Aponta o dedo indicador para mim, em um gesto muito firme, como quem sabe o que diz, e disse as frases que mudaria minha vida. “Eu sei por que você está aqui. Você está aqui por causa da gente. Quando voltar para seu mundo, por favor, conte a eles que estamos aqui.” Por alguns segundos, fiquei calada. Seu olhar estava fixado em meus olhos. Respondi que sim. Prometi que “o mundo de cá” iria conhecer toda essa história.

   

Ainda com aquele sorriso branco que iluminava seu rosto, ele continua.

 

O mundo deveria ser assim, lady. Somos como uma mão. Os cinco dedos estão todos ligados na mesma palma. Todos esses dedos são totalmente diferentes uns dos outros, mas com um dedo sozinho não podemos agarrar nada. Porém, se utilizamos os cinco dedos juntos, temos capacidade e habilidade para agarrar o que for preciso. Foi assim que chegamos até aqui.

 

E não é exagero nenhum dizer que é isso que os fazem sobreviver.

 

Infelizmente não pude fotografar Al Bash, devido às regras no campo de refugiados. Na foto abaixo, o do campo onde nos encontramos.

 

 

 

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